SCAR

Explorar como as substâncias do dia a dia moldam o nosso ecossistema intestinal, com a ajuda ativa dos cidadãos

O nosso intestino alberga biliões de microrganismos, o microbioma intestinal, essenciais para digestão, metabolismo, imunidade e proteção contra agentes patogénicos. Os xenobióticos, substâncias químicas presentes em alimentos, medicamentos ou no ambiente, podem afetar este equilíbrio, promovendo saúde ou doenças. O SCAR estuda estas interações a nível molecular com a participação ativa de cidadãos, aproximando ciência e sociedade.

Participe

Maria João Leão

programacienciamaiscidada@itqb.unl.pt

 

Números

researchers

6

researchers
ITQB NOVA labs

2

ITQB NOVA labs
citizen scientists

30

citizen scientists
fecal samples

30

fecal samples
resistant isolates

19

resistant isolates
Master’s thesis

1

Master’s thesis

Objetivos Científicos

O SCAR investiga como os xenobióticos afetam o microbioma intestinal, tentando perceber:

  • A reação das bactérias a metais pesados e outras substâncias ambientais;
  • Os mecanismos de sobrevivência ou cooperação sob stress químico;
  • Se bactérias resistentes podem proteger espécies sensíveis;
  • Como aplicar este conhecimento em probióticos inovadores ou biorremediação intestinal.

Laboratórios Envolvidos

O projeto SCAR foi lançado em 2025 no ITQB NOVA, sendo coordenado pelo Laboratório de Interações da Microbiota Humana com Xenobióticos. Conta ainda com a colaboração essencial do Laboratório de Desenvolvimento Microbiano e é apoiado pelo Município de Oeiras.

Human Microbiota – Xenobiotics Interactions

Human Microbiota – Xenobiotics Interactions

Head: Sarela Garcia-Santamarina

Microbial Development

Microbial Development

Head: Adriano Oliveira Henriques

Resultados Científicos e Impacto

O SCAR permitiu: 

  • a recolha e análise de 30 amostras; a identificação de 19 isolados resistentes a metais pesados, principalmente Escherichia coli e Enterococcus spp; 
  • a descoberta de interações protetoras entre espécies, como uma estirpe de E. coli que reduz parcialmente a toxicidade do cádmio sobre Phocaeicola vulgatus;

O SCAR continua a expandir o seu alcance, com os próximos passos a incluir:

  • Sequenciação completa do genoma dos isolados resistentes;
  • Avaliação de genes de resistência e potenciais aplicações em saúde ou biotecnologia;
  • Divulgação de resultados aos cidadãos.

O SCAR confirma que a ciência cidadã não é apenas recolha de dados, é construção de conhecimento, literacia científica e inovação aplicada à saúde e ao ambiente.

Cientistas Cidadãos

O SCAR contou com 30 cientistas cidadãos, na sua maioria colaboradores do ITQB NOVA, que facilitaram a recolha e processamento das amostras e promoveram o networking entre departamentos.

Os colaboradores participaram em: 

  • Doação de amostras fecais e questionários sobre hábitos de vida e alimentação; 
  • Acompanhamento das análises laboratoriais com técnicas avançadas; 
  • Visitas aos laboratórios e instalações de microscopia e NMR; 
  • Divulgação científica como embaixadores do projeto em eventos como o Dia Aberto do ITQB NOVA, a Noite Europeia dos Investigadores e o Dia Internacional do Microrganismo.

Este modelo aproxima os cidadãos da investigação, fortalece a literacia científica e valoriza o seu papel ativo na comunidade científica.

Luís Andrade, Lead Genome Engineer at Phytoform

Maria Cruz, estudante do Mestrado em Mestrado em Bioquímica Médica da Universidade Nova de Lisboa

Este estudo mostra que o intestino é um ecossistema dinâmico, onde a cooperação entre espécies pode reduzir a toxicidade de metais pesados. Os cidadãos envolvidos ajudaram-nos a transformar hipóteses em dados concretos, e demonstram que a ciência mais transformadora é feita em conjunto.